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Auxílio B31 ou B91: a diferença que muda seus direitos

Atualizado em 17/10/2026

Auxílio B31 ou B91: a diferença que muda seus direitos

Quem se afasta pelo INSS recebe uma carta de concessão com um código: B31 ou B91. Muita gente nem repara, mas essa diferença define se você terá estabilidade no emprego, FGTS durante o afastamento e proteção contra a demissão. O auxílio acidentário B91 é concedido quando a incapacidade tem relação com o trabalho; o B31 é o auxílio comum, para doenças sem essa ligação. Neste artigo você vai entender o que cada um garante, por que o INSS às vezes erra e como pedir a correção.

O que significam B31 e B91

Os dois são espécies do mesmo benefício, o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), pago a partir do 16º dia de afastamento a quem está temporariamente incapaz de trabalhar.

  • B31, auxílio por incapacidade temporária previdenciário: para doenças e acidentes sem relação com o trabalho. Uma cirurgia de apendicite, uma fratura jogando futebol no fim de semana, uma depressão sem ligação com o serviço.
  • B91, auxílio por incapacidade temporária acidentário: para acidentes de trabalho típicos, acidentes de trajeto e doenças ocupacionais, como LER/DORT, hérnia de disco por esforço, perda auditiva por ruído ou transtornos ligados ao ambiente de trabalho.

O valor mensal é calculado da mesma forma nos dois casos. A diferença está nos direitos que acompanham o benefício.

O que só o B91 garante

Estabilidade de 12 meses

Quem recebe o benefício acidentário tem garantia de emprego por 12 meses depois do fim do afastamento (art. 118 da Lei 8.213/91). Nesse período, a empresa não pode dispensar sem justa causa. Se dispensar, deve reintegrar ou pagar os salários e direitos do período. No B31 não existe essa estabilidade.

FGTS durante o afastamento

No afastamento acidentário, a empresa é obrigada a continuar depositando o FGTS todo mês, como se você estivesse trabalhando (art. 15, § 5º, da Lei 8.036/90). No B31, os depósitos param a partir do 16º dia.

Sem carência

Para o B31, em regra é preciso ter pelo menos 12 contribuições mensais antes do afastamento. O B91 dispensa esse requisito (art. 26, II, da Lei 8.213/91). Isso protege quem acabou de ser admitido ou voltou a contribuir há pouco tempo.

Prova para outros direitos

O reconhecimento do nexo pelo INSS também ajuda em pedidos futuros, como auxílio-acidente por sequelas, indenizações contra a empresa e, em alguns casos, aposentadoria especial.

Por que o INSS concede B31 quando deveria ser B91

Os motivos mais comuns são:

  • a empresa não emitiu a CAT, e o perito não teve esse registro;
  • o atestado médico não menciona a relação com o trabalho;
  • o trabalhador, orientado pela empresa, declarou o problema como “doença comum”;
  • o perito entendeu que não havia nexo, mesmo com indícios.

Existe ainda o nexo técnico epidemiológico (NTEP): quando a doença é estatisticamente frequente na atividade da empresa, a lei presume que ela tem relação com o trabalho (art. 21-A da Lei 8.213/91). Nesses casos, o INSS deveria conceder o B91 mesmo sem CAT, e cabe à empresa provar o contrário.

Como pedir a conversão de B31 em B91

  1. Reúna as provas do nexo: CAT (emitida pela empresa, pelo sindicato, pelo médico ou por você), laudos e atestados que descrevam a relação com o trabalho, exames, PPP e descrição das atividades.
  2. Peça a revisão no INSS. Pelo Meu INSS é possível apresentar recurso ou pedido de reconsideração dentro do prazo indicado na carta de concessão, anexando os documentos.
  3. Se o INSS mantiver o B31, é possível entrar com ação na Justiça Federal para converter o benefício.
  4. Na Justiça do Trabalho, o nexo pode ser reconhecido de forma independente, com perícia médica, para garantir a estabilidade, o FGTS e as indenizações, mesmo que o INSS tenha mantido o código comum (Súmula 378 do TST).

Explicamos os demais direitos ligados a esse reconhecimento na página sobre acidente de trabalho e doença ocupacional.

Exemplo prático

Cláudia, operadora de caixa há 6 anos, desenvolveu tendinite nos dois punhos. O ortopedista deu 60 dias de atestado, mas sem citar o trabalho. A empresa não emitiu CAT e o INSS concedeu B31. Dois meses depois de voltar, ela foi demitida sem justa causa. Com um advogado, Cláudia:

  • Juntou provas: laudos, exames, descrição da função (movimentos repetitivos por 8 horas) e a CAT emitida pelo sindicato depois da demissão.
  • Entrou com ação trabalhista pedindo o reconhecimento da doença ocupacional e a nulidade da dispensa.
  • A perícia confirmou o nexo entre a tendinite e a atividade.
  • Pedidos avaliados: salários dos 12 meses de estabilidade, FGTS dos 2 meses de afastamento e indenização por dano moral pela falta de CAT e pela dispensa.

Exemplo hipotético, criado para ilustrar. Os valores são aproximados e cada caso depende das provas e do contrato.

Seu benefício saiu como B31 e você acha que a doença veio do trabalho? Mande sua carta de concessão e seus laudos pelo WhatsApp que avaliamos o caminho.

Cuidados durante e depois do afastamento

  • Guarde a carta de concessão e todos os comunicados do INSS.
  • Confira no aplicativo do FGTS se os depósitos continuaram. Se o benefício for B91 e os depósitos pararam, a empresa está em falta.
  • Ao voltar, não assine pedido de demissão nem acordo sem orientação. Na dúvida sobre uma dispensa após o retorno, veja nossa página sobre direitos na demissão.
  • Se a empresa não oferecer função compatível com suas limitações, isso também pode gerar direitos.

Perguntas frequentes

Recebi B31, fui demitido e só depois descobri que deveria ser B91. Perdi a estabilidade?

Não necessariamente. A Justiça do Trabalho pode reconhecer o nexo depois da demissão e declarar a dispensa nula, com reintegração ou indenização do período, desde que a ação seja proposta em até 2 anos do fim do contrato.

A estabilidade do B91 vale para contrato de experiência?

O entendimento predominante do TST é que sim: a garantia de emprego do acidentado vale mesmo nos contratos por prazo determinado (Súmula 378, III, do TST).

O valor do B91 é maior que o do B31?

Não. O cálculo é o mesmo. A diferença está na estabilidade, no FGTS, na dispensa de carência e no reconhecimento do nexo para outros pedidos.

Posso receber B91 sem CAT?

Pode. A CAT facilita, mas o perito pode reconhecer o nexo pelos laudos e pela atividade, especialmente quando se aplica o NTEP. Mesmo assim, sempre vale emitir a CAT.

Amorim e Silveira AdvocaciaLuiz Guilherme dos Santos Silveira (OAB/MS 27.149) e Jovilson de Albuquerque Amorim Junior (OAB/CE 41.671). Advocacia trabalhista com atendimento online em todo o Brasil.

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